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São Paulo descarta afrouxar isolamento na capital e pode bloquear avenidas




O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse hoje que não há possibilidade da flexibilização da quarentena imposta na cidade por causa do coronavírus a partir do dia 10 de maio e não descartou um endurecimento, com bloqueio de avenidas para desestimular as pessoas a saírem de casa. Ele disse, no entanto, que o lockdown, quando há paralisação total das atividades, não foi discutido.

A taxa de isolamento tem ficado na faixa de 48%, abaixo do que é considerado satisfatório. Autoridades de saúde têm apontado um índice de 70% como ideal para frear o avanço do vírus, mas também pedido que ela se mantenha acima de 50% e, preferencialmente, próxima de 60%.

"Já há uma decisão tomada: nós não temos como relaxar as medidas de isolamento a partir do dia 10 de maio. Na capital é absolutamente impossível. Ao contrário, estamos iniciando uma discussão na prefeitura pra que a gente possa fortalecer algumas dessas medidas pra que a gente consiga fazer com que o isolamento na cidade possa crescer desse patamar de 48%", disse em entrevista ao Bom Dia São Paulo, da TV Globo.

Em entrevista ao jornal O Globo, questionado se o aceno feito pelo governador João Doria (PSDB) sobre um relaxamento da quarentena foi "desastroso", Aparecido disse que não é possível dizer isso, já que as medidas de restrição continuam em vigor, mas ressaltou que a pressão que ocorreu para o afrouxamento do isolamento social "não foi bom".

"Em todos os países houve uma unidade no enfrentamento da doença, os entes da federação tiveram um caminho comum. Aqui essa pressão que permanentemente ocorreu para afrouxar o isolamento social não foi bom. O isolamento é a grande arma que a gente tem. Por isso, aqui na cidade a gente não pode imaginar qualquer relaxamento (de quarentena) neste momento. Ao contrário, o prefeito tem colocado que talvez a gente tenha que intensificar essas medidas", explicou.

Em sua avaliação, os números mostram que a cidade iniciou a subida da curva de disseminação da doença numa velocidade muito acentuada.

"Do dia 26 de fevereiro, quando teve o primeiro caso aqui na cidade, até o dia 23 abril tivemos 45.518 notificações, média de 812 por dia. Em apenas 3 dias — dia 24,25 e 26 — isso saltou para 56 mil notificações, ou seja, nós saímos de 812 para pouco mais de 3.400 notificações por dia", explicou.


Bloqueios de avenidas

Aparecido explicou que a prefeitura está fazendo desde segunda-feira "bloqueios educativos" em algumas avenidas da cidade, com a presença de profissionais de saúde, CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e guardas civis metropolitanos e não descartou um endurecimento a ser anunciado na semana que vem, sobretudo de bloqueios nas principais avenidas da cidade.

Questionado se esses bloqueios seriam totais, sem que ninguém possa passar por elas, ele respondeu: "Não, você faz um processo de bloqueio, você reduz muito, fazendo com que as pessoas se desestimulem a sair de casa", sobretudo em regiões onde o sistema de saúde está mais pressionado.

O secretário disse que a prefeitura sabe da situação "dramática" enfrentada por grande parte da população do ponto de vista econômico por causa do isolamento, mas ressaltou que a medida salva vidas. "São mais 10, 15, 20 dias que a gente pratica o isolamento e o significado disso vai ser salvar vidas", disse.

Contato com novo ministro da Saúde ainda não aconteceu

Ao jornal O Globo, o secretário disse que a administração municipal ainda não teve contato com a gestão do ministro da Saúde, Nelson Teich, que substituiu Luiz Henrique Mandetta. "Ministério da Saúde sob o ex-ministro Henrique Mandetta nos ajudou muito, fez uma transferência de recursos importante para a cidade. Estamos aguardando outras medidas que havíamos pedido ao ministério como respiradores, equipamentos e testes", afirmou.

Aparecido disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem questionado a eficácia do isolamento social, é "o líder do país" e destacou a importância de que "uma mesma linguagem" seja transmitida para que a população não subestime a gravidade da covid-19.


Contratação de leitos privados

Questionado pelo O Globo sobre o esgotamento dos leitos da rede municipal, ele disse que a prefeitura partiu para a contratação de leitos da rede privada para evitar o colapso do sistema. "Isso vai nos ajudar a ter mais leitos de UTI. Se vai ser o suficiente só vamos saber mais na frente."

"Acho que a gente pode agregar 20% a mais com o aluguel de leitos privados. Nós instalamos 651 novos leitos públicos até agora e vamos chegar a 1.400. Já alugamos 40 leitos com o Hospital da Cruz Vermelha e estamos em negociação com o Hospital Santa Catarina, HCor e outros", explicou.

Ele descartou que São Paulo terá pessoas mortas em casa sem atendimento ou cenas de corpos pelas ruas, como foi noticiado no Equador, mas ressaltou que a doença não pode ser subestimada. "A gente tem mil equipamentos de saúde na cidade. Se não tivéssemos uma rede tão extensa, seguramente, estaríamos numa situação muito mais grave. São 21 hospitais."

Perguntado se alguma cena o abalou, o secretário respondeu: "Quando chega à noite em casa e ouve os relatos sobre como as pessoas estão morrendo, às vezes o consolo é chorar."


Uip ressalta importância do isolamento

David Uip, coordenador do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, também falou sobre a importância do isolamento social para combater o coronavírus e agradeceu à população pela colaboração.

Citando modelos matemáticos, o infectologista disse que um deles apontava que no dia 6 de abril o sistema de saúde de São Paulo estaria exaurido.

"Primeiro (faço) um agradecimento à população, não é fácil ficar isolado, eu sou testemunha. Isso tenho que agradecer muito à população. Se não fosse esse isolamento, teríamos algumas vezes mais doentes e pacientes na UTI", disse em entrevista à Globonews.

Sobre a flexibilização da quarentena no estado, ele disse que a equipe está trabalhando para oferecer ao governador João Doria (PSDB) a melhor e mais técnica decisão possível.

No último boletim, divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Saúde, São Paulo registra 2.247 mortes por covid-19, sendo o estado com mais mortes no país. São 26.158 pessoas infectadas, sendo que 9.520 dos casos estão fora da capital. Segundo o levantamento, 8,6 mil pessoas estão internadas no estado. Entre estas, 3.445 estão em UTI. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 5.466 mortos e 78.162 casos oficiais.

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