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Grupo que fazia tour sobre cultura negra no Centro de SP diz que foi seguido e filmado por PMs durante 3 horas

 Guias e 12 clientes explicaram que era passeio turístico, mas policiais acompanharam todo o trajeto em motos e a cavalo. Em nota, Polícia Militar disse que 'por se tratar de um evento com grande concentração de público foi realizado o acompanhamento'.


Grupo de turistas e guias negros é acompanhado pela PM por 3 horas em walking tour no Centro de São Paulo, no sábado (24) — Foto: Heitor Salatiel/Arquivo Pessoal/BlackBird Viagens


Guias de uma agência de turismo que atua em locais importantes para a cultura negra dizem ter sido seguidos por 3 horas, filmados e abordados por policiais militares no sábado (24) durante um passeio no Centro de São Paulo. Questionada, a PM afirmou que acompanhou o grupo devido a "grande concentração de público".

A BlackBird Viagens iniciou seus trabalhos em 2018 e possui entre seus roteiros a "São Paulo Caminhada Negra", que leva turistas guiados com informações sobre a cultura negra da Liberdade ao Largo do Paissandú.

No sábado, após meses parada por conta da pandemia, a agência retomou os trabalhos às 10 horas, em um grupo formado por 14 pessoas, sendo dois guias e doze turistas.

Logo na primeira parada, na Praça da Liberdade, o grupo foi abordado por policiais, que questionaram se o encontro se tratava de uma manifestação, de acordo com os guias.

"Explicamos que se tratava de uma atividade turística, mostramos nosso CNPJ, dissemos que eram nossos clientes e garantimos que não haveria aglomeração justamente por ser um serviço pago, com limite de até 15 pessoas durante a pandemia", disse Guilherme Soares Dias, um dos sócios da BlackBird Viagem.

'Perseguição policial'

Segundo Dias, ali teve início uma "perseguição" policial, que durou até a última parada, às 13 horas.


O grupo seguiu com o passeio e se dirigiu para a Casa Preta Hub, novo espaço colaborativo no Anhangabaú, e foi acompanhado por policiais em motos.

"Na saída optamos por subir a escada rolante do Vale, que não fazia parte do nosso percurso, para tentar despistar aquele acompanhamento arbitrário, mas demos de cara com uma cavalaria. Adiante, no Largo do Paissandu, outra equipe se apresentou, questionou novamente se era um protesto, e chegou a nos pedir que assinássemos um documento, o que nos negamos a fazer", continuou.

A reportagem questionou a Polícia Militar se a corporação confirma que acompanhou os guias e turistas negros por três horas e o motivo da ação. Em nota, a PM disse que "por se tratar de um evento com grande concentração de público foi realizado o acompanhamento, como regularmente é feito a fim de garantir a segurança do grupo e demais cidadãos".

"Eram 12 clientes, não era uma aglomeração. Tinha muito mais gente na fila para a exposição dos Gêmeos na Pinacoteca e junto a uma candidata que fazia uma caminhada política, mas em nenhum momento deixaram de nos seguir. A gente percebe que realmente era uma perseguição ao nosso evento", disse Guilherme Soares Dias.

"A nossa caminhada é uma valorização da cultura negra, e a gente gostaria de convidar a Polícia Militar a fazer parte dessa caminhada, para entender a importância e a potência desse trabalho, para entender que pessoas negras juntas não estão necessariamente se manifestando ou fazendo algo criminoso. Pode ser uma atividade cultural", completou.

A equipe da BlackBird Viagem fez um boletim de ocorrência sobre o episódio, que a polícia registrou como "não criminal", de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), acionou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para avaliar outras medidas, e se reuniu com a promotoria dos Direitos Humanos do Ministério Público.



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